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domingo, 26 de junho de 2011

DÉSIR

Que se consuma em fogo esse que

em chamas me consome,

Que seja consumado o fato, o ato, desdenhoso, desejoso e carnal

do desejo que ora me toma.

Que palavra alguma caiba e saiba dizer o que é.
Que corpos virtuais não sejam suficientes, nem físicos sejam alcançados.

Que consumição alguma nos tome nem nos aperte no culus de medos os medos que os dedos alheios e nossos e vossos nos apontam.

Que arda, que queime, que vibre
a sensação do que surge e urge em sufocar e dar vida.

Que seja breve em tua anatomia
Que se eternize em sua agonia
Que torne gerúndio o desejo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


A letargia é essencial aos que,

aos poucos,
se envenenam

tomando pequenos goles diários de seus próprios desejos

ou comendo o fígado de suas almas.

sábado, 5 de junho de 2010

Joaninha!

Rubro em descobrir que me vês assim,
com olhos de raios X,
olhos indiscretos de quem quer descobrir o mundo.

Mas seria inútil barrar tua entrada
já que em minha vida entrastes sem usar portas,
janelas,
ou catracas.



Fostes absorvida.

E ella morreu.

Que Deus te dê liberdade pra morrer menina.



Que vc morra a cada vez que, como lagarta, precise metamorfosear-se.

Que vc morra a cada vez que, como as marés, precise ir banhar outras praias.

Que vc morra a cada vez que, como a lua, precise mostrar suas múltiplas faces.

Que vc morra a cada vez que, seu espírito precise se libertar e voltar brilhante, de aúrea nova a teu corpo lânguido e ressecado de sêde de uma vida nova.

Porque nem sempre morrer é perder-se pra sempre.

sábado, 17 de abril de 2010

...............................COTIDIANO





Janela, porta, portão

Portão, portão, portão,


Luz do dia,

O negócio escuso na esquina,
Terríveis olhos me vigiam sob a fenda do capacete,

O drácula de shorts do outro lado da rua,

Cheiro de pólvora no ar,

Mais personne ne vient l'aider,

É o mau

O mal,

O lobo do homem

Homem,

Sepulcro.


E eu,

................... refém de mim!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

domingo, 20 de dezembro de 2009

Era uma vez (...) um casamento.






Ele precisava procriar, Ela precisava suster sua honra.
Um contrato de respeito e servidão.
E foram juntos para sempre.


Um dia criaram a pílula anticoncepcional.

Era uma vez um casamento
(E o amor entre eles)
Um contrato de satisfação sexual e sentimental.


O respeito e a tolerância se retiraram.
E Eles separaram-se para sempre.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


O caminheiro na estrada recriando a vida.

Duas rosas unidas, uma cerca viva de espinhos,

dois olhos de menina no outro lado desejam aquela beleza.

A chuva enchendo a cidade,
trânsito parado,
gotas fortes batem no pára-brisa como se pedissem para entrar
– buzinas,
o frio.

Procurava por algo que não estava ali,
encontrou a solidão.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sinfonia


A voz aguda roça minha nuca,
invade meu ouvido,
estremece o coração
– onde está a poesia?

Pai


Sua pele já não tinha o antigo viço,



o brilho de seu cabelo insistia em se apresentar.



Seu corpo preenchia a sala,

mesmo que sua alma passeasse em outros planos.



O éter, o lençol.



Um par de mãos trêmulas que lhe afagavam os cabelos

e lágrimas

refletindo o que jamais havia sido dito:
********************************************** "Eu te amo".


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ANONIMA MENTE

Eu queria

Ter tua velocidade,
Imitar tua coragem,
Ter saído da concha

Vomitar meus sentimentos,
Ver a saída no abismo,

Plantar flores em teu caminho,
Ouvir tua voz,
Calar a minha,

Ser tua serenidade,

E o suspiro mais profundo,

Que te faz HOMEM...