sábado, 8 de junho de 2013

Acalmando-se ao som

Já estou começando a estar.
Seria eu um sorriso em flora, agora desmatado e seco??
(É bom pra pensar em dias elétricos...); 
pra existir é só existindo mesmo.  
Faço assim um esforço contrário, exercitando aos poucos lentamente.
Mas agora eu fiquei palpitante. 
Por onde anda-se assim??  
Sorrindo é ainda melhor, claro! Mas, e de falar coisas? (;)) E coisas?:. Lembram? (risos)
estou estranho pra matar saudades?
No mundo e na minha vida? - E esse além é aqui nesse mundo????
Vou acalmar ao som, aguarde-me-se!



Do meu amigo Gil Robson para mim.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Frustração

O que é o tempo senão o gozo da concepção do filho que não tivemos,
da vida alheia que não vimos e não comentamos,
as batidas da cabeceira da cama na parede do vizinho adoentado de tédio,
a sudorese do pedreiro que acompanha uma bunda em meio ao dia de trabalho,
a reclamação da mulher frígida ao ler Jorge Amado.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Saudade.

O choro nem sempre eh representado por lagrimas....
a dor do peito que aperta....
o olho molhado que nao rega....
a imensao do atlantico que separa...
só veem cura na sublimacao que o amor de verdade tem...
em voce, amor, perfeito, do meu jeito!





By: Marcelo Santos (Marceleza)

domingo, 26 de junho de 2011

DÉSIR

Que se consuma em fogo esse que

em chamas me consome,

Que seja consumado o fato, o ato, desdenhoso, desejoso e carnal

do desejo que ora me toma.

Que palavra alguma caiba e saiba dizer o que é.
Que corpos virtuais não sejam suficientes, nem físicos sejam alcançados.

Que consumição alguma nos tome nem nos aperte no culus de medos os medos que os dedos alheios e nossos e vossos nos apontam.

Que arda, que queime, que vibre
a sensação do que surge e urge em sufocar e dar vida.

Que seja breve em tua anatomia
Que se eternize em sua agonia
Que torne gerúndio o desejo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Você


E choveu.
Chuva fininha gostosa embalando os sonhos da tarde que não pude ter.
E tornou-se chuva forte.
Imitando o choro das coisas perdidas que não pude conter.
E ficou negro o céu.
Lembrando a tua pele depois do dia na praia.
E tornou o céu claro.
É como quando você sorri para mim.
E virou reticências
Vida que segue apesar de tua ausência mesmo estando ao meu lado.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


A letargia é essencial aos que,

aos poucos,
se envenenam

tomando pequenos goles diários de seus próprios desejos

ou comendo o fígado de suas almas.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Em tempos de eleições no Brasil...



Fica frio, amigo, não foi o brasileiro o inventor da corrupção.

Baseado no mais profundo ensinamento da minha religião,

a corrupção começou no Princípio dos Princípios, justamente no Jardim do Éden.

Quando os dois proto-Safados, corrompidos pela Serpente, desrespeitaram a

Lei do Senhor e comeram o Fruto da Ciência do Bem e do Mal,





o desrespeito espantoso ficou conhecido como A Queda. Mas não passou assim pelo Todo (como era conhecido o Todo-Poderoso), que condenou os três culpados por uso indevido de bem público e formação de quadrilha.

Logo o Anjo Gabriel, executor das ordens do Supremo, expulsou Adão e Eva do Paraíso, obrigando-os a viver na periferia, a leste do Éden. Mas a Serpente, misteriosamente, nunca foi punida.

Millôr Fernandes.

In Millôr Fernandes: http://www2.uol.com.br/millor/aberto/biblia/008.htm





sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago.

Hoje um verbo se calou....

O CLUBE DOS SUICIDAS

Moacyr Scliar



A senhora - o que foi que tomou, mesmo? Comprimidos. Não sabe que comprimidos? Gardenal. Tomou Gardenal. Muitos? Cuidado, não pise no fio do microfone. Dez comprimidos. E o que foi que sentiu? Uma tontura gostosa! Vejam só, uma tontura gostosa! Não é notável? Uma tontura gostosa. E foi por causa de quem? Olha o fio. Do marido. O marido bebia. Batia também? Batia. Voltava bêbado e batia. Quebrava toda a louça. Agora prometeu se regenerar. E ela não vai mais tomar Gardenal. Palmas. Olha o fio. Fica ali à esquerda. Ali, junto com as outras. Depois recebe o brinde. Aproveito o intervalo para anunciar que a moça loira da semana passada - lembram, aquela que tomou ri-do-rato? Morreu. Morreu ontem. A família veio aqui me avisar. Foi uma dura lição, infelizmente ela não poderá aproveitar. OUtros o farão. E a senhora? Ah, não foi a senhora, foi a menina. Que idade tem ela? Dez. Tomou querosene? Por que a senhora bateu nela? A Senhora não bate mais, ouviu? E tu não toma mais querosene, menina. A propósito, que tal o gosto? Ruim. Não tomou com guaraná? Ontem esteve aqui uma que tomou com guaraná. Diz que melhorou o gosto. Não sei, nunca provei. De qualquer modo, bem-vinda ao nosso Clube. Fica ali, junto com as outras. Cuidado com o fio. Olha um homem! Homem é raro aqui. O que foi que houve?
A mulher lhe deixou? Miserável. Ah, não foi a mulher. Perdeu o emprego. Também não é isso. Fala mais alto! Está desenganado. É câncer? Não sabe o que é. Quem foi que desenganou? Os doutores às vezes se enganam. Fica ali à esquerda e aguarde o brinde. E essa moça? Foi Flit? Tu pensas que é barata, minha filha? Vai ali para a esquerda. Olha o fio, olha o fio. E esta senhora, tão velhinha - já me disseram que a senhora quis se enforcar. É verdade? Com o fio do ferro elétrico, quem diria! E dá? Dá? Mostra para nós como é que foi. Pode usar o fio do microfone.

SCLIAR, Moacyr. Os Melhores Contos - Seleção Regina Zilberman - São Paulo: Global, 1984.
E tem Clube dos Suicidas em filme: