Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada. Clarice Lispector
sábado, 27 de março de 2010
Anonima mente...
Para alguém...
...Anonimamente...
Eu queria
Ter tua velocidade,
Imitar tua coragem,
Ter saído da concha
Vomitar meus sentimentos,
Ver a saída no abismo,
Plantar flores em teu caminho,
Ouvir tua voz,
Calar a minha,
Ser tua serenidade,
E o suspiro mais profundo,
Que te faz HOMEM...
quarta-feira, 17 de março de 2010
Olhos Abertos

No dia em que Elis faria 65 anos, a letra de uma canção que ela interpetou.
Composição: Zé Rodrix / Guttenberg Guarabyra
Atravessando uma ponte de noite, no meio da chuva
Cercada pelo silêncio daquela cidade do interior
Depois da ponte uma estrada de terra, molhada pela chuva
Cercada pelo silêncio e sem nenhum pedaço de amor
Vendo os olhares desertos de tantas pessoas antigas
Tantas pessoas amigas querendo um cigarro e um carinho
Gente que puxa uma briga na estrada, com os olhos brilhando
Precisa só de um abraço, bem forte e bem dado
E eu quero encontrar as pessoas
De mãos e olhos abertos
Sem me preocupar com dinheiro e posição
Eu preciso encontrar as pessoas
Ficar de mãos dadas com elas
Conversar com a boca e os olhos do coração
terça-feira, 16 de março de 2010
Sósereiseuseforsó/Nuvem Passageira
Eu sou só, estou só
Só serei seu se for só, eu sou só
Eu sou nuvem passageira
que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
que se quebra quando cai
Nao adianta escrever meu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar.
Nome das Coisas
Nomes se dão às coisas
Nomes se dão
Nomes se dão às pessoas
Nomes se dão
Nomes se dão aos deuses na imensidão do céu
Nomes se dão aos barquinhos na imensidão do mar
Nomes se dão às doenças na imensidão da dor
Nomes se dão às crianças na imensidão do amor
You and me
Salame
Batata
Barata
Bigorna
Casa
Comida
Bicho
Paçoca
Tampinha de caneta
Bolinha de sabão
Rabo de galo
Circo
Pão
Conchinha de galinha
Coxinha do mar
Linha
Palito
Terra
Água
Ar
Seriema
Tatu
Merthiolate
Saci
Rocambole de laranja
Revista
Gibi
Pipoca
Margarina
Lentilha
Leitão
Carrinho de feira
Terremoto
Furacão
Centopéia
Isqueiro
Cefaléia
Blefarite
Cimento
Colar
Risole
Rinite
Armário
Geladeira
Furadeira
Cobertor
Ladeira
Pedreira
Fogueira
Extintor
Jeton
Bazuca
Suporte
Argamassa
Fio de nylon
Lamparina
Chocolate
Queratina
Juliana
Cadarço
Picareta
Beija-flor
Convidados
Esfiha
Chupeta
Fruta-cor
Trompete
Arame
Hepatite
Fax-símile
Chocalho
Geléia
Biga
Mocréia
Apolo
Nostradamus
Filarmônica
Marisa
Biriba
Pelé
Afrodite
José
Filho
Veleiro
Alá
Deus
Salomão
Peixe
Pão
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
domingo, 20 de dezembro de 2009
Ilegal, Imoral Ou Engorda
Vivo condenada a fazer o que eu não quero
então bem comportada às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer
Restam meus botões...
Já não sei mais o que é certo
E como vou saber
O que eu devo fazer
Que culpa tenho eu
Me diga amigo meu
Será que tudo o que eu gosto
É imoral, é ilegal ou engorda
Há muito me perdi entre mil filosofias
Virei mulher calada e até desconfiada
Procuro andar direito e ter os pés no chão
Mas certas coisas sempre me chamam atenção
Cá com meus botões...
Bolas, eu não sou de ferro
Paro pra pensar mas eu não posso mudar
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo que eu gosto
É imoral, é ilegal ou engorda
Se eu conheço alguém num encontro casual
E tudo anda bem, num bate-papo informal
Uma noite quente sugere desfrutar
Do meu terraço, a vista de frente para o mar
Mas a noite é uma criança
Delícias no café da manhã
Então o que fazer
Já não quero mais saber
Se como alguma coisa
Que não devo comer
Será que tudo o que eu gosto
É imoral, é ilegal ou engorda
.................................................................................................... Erasmo e Roberto Carlos

Papai Noel às avessas
Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.
Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papais-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças.
Papai entrou compenetrado.
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais
[lindos
mas os sapatos deles estavam cheios de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.
Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidentes
brigavam por causa do aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.
Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.
AQUI É OUTRO LUGAR DO MUNDO.
Aqui é outro lugar do mundo
Paralelepípedos param helicópteros
Os ônibus no fim do dia
Paralelo é tudo que vejo
Arranha-céus da cabeça aos pés
Pára-quedas caem
É gente que não pára de chegar pra ficar perdida
Pára o trânsito
Pára-raio na cabeça
Pára o trânsito
Pára-raio na cabeça
Aqui é outro lugar do mundo
Aqui é outro lugar do mundo
A tiete, o Tietê
Shopping center e TV
A praia é no Ibirapuera
Fica todo mundo branco
Pé descalço ou de tamanco
A pé paulista sofre
Só que ninguém vê
A cidade poluindo
Só que ninguém vê
A cidade poluindo
Num bom cartão postal
Via satélite
Vi a polícia na contra-mão
Era uma vez (...) um casamento.Ele precisava procriar, Ela precisava suster sua honra.
Um contrato de respeito e servidão.
E foram juntos para sempre.
Era uma vez um casamento
(E o amor entre eles)
Um contrato de satisfação sexual e sentimental.

O respeito e a tolerância se retiraram.
E Eles separaram-se para sempre.
